domingo, 2 de agosto de 2015

Livros e Capas - Segundo Capitulo (Curta)

 Depois de entrarem no carro, Ana rezou mentalmente para que não fosse nada malicioso, enquanto seguiam viagem o rapaz olhava apenas para a estrada, o rádio estava ligado, mas estava tocando músicas do pendrive.
  -Você não gosta de ouvir rádio? - Pergunta Ana.
  -Não muito, as vezes o sinal se perde e não gosto do som de estática, diferente de se ouvir alguma que eu baixei ou comprei de um cd.
 - Você compra cds? - Ana pergunta curiosa.
 -Claro que sim, ainda mais quando gosto de verdade do álbum inteiro.
 - Que música que está tocando agora? Eu não a conheço.
 -The Wind do cantor Akeboshi, é um estilo Folk japonês, eu gosto dela para relaxar - Depois de um tempo conversando sobre as músicas e o passeio, Ana descobriu que o rapaz sempre foi desenhista, mas também que é escrito e músico, além de escultor, ela ficou maravilhada por ele ser tão habilidoso tanto com as palavras como gostaria muito de ver outras de suas obras além do desenho de si mesma, quando chegaram na frente da casa dela ele estacionou.
 -Chegamos - Falou o rapaz.
 - Sim chegamos... Ahn... Obrigada pelo passeio, o filme, gostei mesmo.
 -Também gostei.
 - Bom... Até né?
 - Até.
   Ana sem ter muita certeza beija o rosto do rapaz, ele não virou o rosto, fazendo com que quase descem um beijo nos lábios um do outro, o beijo acabou sendo no canto da boca, ela acabou ficando desajeitada para sair, aquele quase beijo na boca a deixou bamba e tremula, mas ela percebeu depois de sair do carro que ele a olhou com aquele sorriso e olhar zombeteiros de costume, quando ela chegou a porta que se tocou que não perguntou o nome dele.
   Os dias foram passando, Ana estava mais preocupada com seus estudos, estudava bastante sem pensar em mais nada, mas isso nunca a impediu de ver seus amigos e aquele rapaz, ele passou a fazer parte de seu cotidiano, ele um dia a levou para sua casa, lá ela viu decorações maravilhosas, estatuas de tamanho natural de homens robustos, magrelos ou gordos em cotidiano, mulheres altas, baixas, magras, gordas ou corpudas, asiáticos, negros, ele era detalhista nas cores de suas estatuas e quadros, mas deixava falhas ou pontos menos realistas, ele falava que deixava assim para deixar claro que eram apenas estatuas e não pessoas reais, eram tantas obras, mas a casa dele era enorme, então havia espaço suficiente.
  -Você já vendeu alguma dessas obras? - Perguntou Ana.
  -Não vejo porque vender, bom, eu até vendia quando era mais jovem, para ter dinheiro, mas essas são particulares, as que vendo, os clientes pedem da forma que desejam, é como se eu lê-se a mente dos meus clientes, assim as obras que eu faço com tanto amor, guardo para mim.
 - Elas devem valer bastante.
 - Emocionalmente sim - Diz o rapaz, deixando um ponto final na conversa, Ana percebe que ele ama muito o que faz, depois de ouvi-lo tocar piano e cantar uma das músicas de sua autoria, eles vão até o jardim, lá possui mais obras, logo depois voltam para dentro para almoçar, ele mostra os outros cômodos de sua casa, seu quarto e outros quartos com mais obras.
 - Bom percebi que tem um quarto fechado, é dos seus pais? - Pergunta Ana.
 - Meus pais não moram comigo, se mudaram quando eu tinha 17 anos, decidiram que eu podia me virar, óbvio que me pagam uma pensão, mas ela só serve para ficar na minha conta, o dinheiro que consigo com as obras já da para pagar contas e comida para mim, o quarto é para uma obra que ainda não tive o prazer de pensar, mas quando pensar, vai ser o meu tesouro, isso eu sinto - Ana percebeu que quando ele falou isso, seus olhos estavam brilhando como se fossem uma estrela, ele a levou de volta para casa, depois de seis meses eles continuaram a se falar, Ana continuava esquecendo de perguntar seu nome, mas ela passou a parar de pensar em perguntar, com vergonha e por achar que ele se ofenderia com isso, depois de um ano, Ana estava prestes a terminar o Ensino médio, antes da semana de formatura, Ana fica alegre preparando seu vestido e seu discurso, todos votaram para ela discursar já que ela tinha a voz mais ativa das turmas, depois de horas escrevendo ela ligou para o rapaz e pediu a ajuda ele.
 -Discursos não são qualquer coisa primeiro se deve colocar que você vai estar na frente de muitas pessoas...
 - Isso vai me incentivar muito.
 - Melhor saber o que te espera do que vir a surpresa - Ana fica quieta na hora - Enfim, depois disso se deve saber que elas esperam algo incrível e que marque a vida deles!
 - Agora ferrou, não sei o que escrever, ainda mais se for algo épico!
 -Não vai fazer algo épico, deve escrever o que você pensa.
 - Oi? Como é?
 - Ana você deve escrever algo que você sente, não pense no discurso, pensa no que passou na escola, os momentos com sua turma, com os professores e com qualquer um que esteve na sua vida durante essa época, depois pense no que você quer para o seu futuro, os sacrificios que talvez irá fazer, as novas amizades que virão, os sonhos que quer realizar, depois de pensar nessas coisas você terá seu discurso, pois ele não é apenas palavras bonitas, ele será o que dará inspiração a você e seus colegas a seguirem em frente depois da formatura... Ana...?... Você está ai? - Ana ficou um tempo em silêncio.
 - Estou sim, acabei de ter minha inspiração, obrigado - Depois disso Ana escreveu seu discurso, sete dias antes da formatura Ana começou a sentir dores no estomago, pensou que não era nada, apenas uma cólica, tomou remédios e começou a se preparar, no dia da formatura estava feliz pois seria o dia que daria adeus a escola e começaria seus dias de universitária, ela queria fazer faculdade de gastronomia, amava cozinha, e queria ser uma chefe de restaurante ou criar seu próprio, quando estava chegando a hora do discurso as dores no estomago voltaram, ela se segurou e seguiu em frente, quando estava prestes a subir as escadas começou a ficar tonta, tudo ficou preto...
  Quando acordou estava no hospital, não sabia o que aconteceu, o médico chegou junto de sua mãe.
 -Olá querida, o médico queria que acordasse para poder dar as noticias - Falou a mãe de Ana com um sorriso forçado, Ana percebeu que era algo sério e ficou pálida na hora. O médico se aproximou e começou.
 -Senhorita Tanvares, devo informar que encontramos um câncer em um dos seus rins, infelizmente está em um nível avançado e somente saíra se fizermos uma cirurgia e trocarmos o órgão - Ana ficou mais pálida ainda, sua mãe segurou sua mão e beijou sua testa, a abraçou e passaram assim por muito tempo, Ana estava tão assustada com a noticia que não chorava, ela não tinha forças para isso, mas como se fosse impossível o rapaz chegou, como ele soube? Quem lhe contou? Não importava Ana ficou feliz em vê-lo ali, pois ele além de sua mãe, era um grande conforto, eram amigos a três anos, mesmo nunca sabendo seu nome, ela amava ele e muito, mas tinha medo de falar isso e agora ela estava com câncer, será que ele iria ficar ao seu lado? Que pergunta mais idiota ele estava ali e agora.
 -Você veio, obrigada - Falou a mãe de Ana - Vou deixa-los a sós, por favor se comportem - Ela riu e saiu rapidamente antes de Ana se manifestar.
 - Minha mãe te chamou? - Ele acenou com a cabeça - Como ela conseguiu seu número? - Perguntou Ana.
 -Naquele dia que você sujou sua camisa de coelhinho psicótico fofinho com o sorvete, você saiu para trocar de roupa e sua mãe aproveitou o momento e pediu, ela falou que nunca teve chance de me ver longe de você e queria o telefone para uma emergência sem que você soubesse, não sei o porque disso, mas agora acho que sei, só acho.
 -Mas ela podia pedir para mim a qualquer hora e... Ele não é psicótico só tem um olhar vermelho e grande fixo... Você já sabe o que tenho?
 -Sim, todos já sabem, sua mãe queria estar ao seu lado e fingiu que não sabia, mas todos já sabemos.
 -Era para eu pensar que eu ia ser a primeira a saber? - Ele balançou a cabeça positivamente, Ana fechou os olhos e posicionou a cabeça olhando para cima, imaginou tudo que poderia ocorrer a partir daquele momento, ela só sabia que não podia desistir, a mãe de Ana e o rapaz ficaram com ela sempre que podiam, ele ficava com ela durante a tarde e o fim do horário de visistas e sua mãe durante a manhã antes de ir trabalhar, ambos sempre pareciam cansados, principalmente o rapaz, ele parecia que estava sem dormir a dias. Ana perguntava mas ele ignorava suas perguntas dizendo que estava em um trabalho importante, durante longo tempo Ana esperou, o médico falava que estava difícil achar doadores, ela já estava em desespero, e viu que poderia ser isso... Então decidiu que iria aproveitar cada momento antes de tudo, em um certo dia quando estava só ela e o rapaz ela decidiu que iria abrir seu coração, que iria falar com ele.
 Olha, quero te falar uma coisa - Ele a olha curioso - Eu... Gosto de você... Você... - Ela tenta falar, mas não sabe porque o medo a aflige, porque não consegue se abrir de repente - Você é um ótimo amigo e... Te quero sempre assim - Eles se olham, ele a observa fixamente, a analisa, ela pensa consigo mesma, como pode ser tão idiota? Porque não falou o que realmente sente? Depois de três anos, ela não consegue se abrir de verdade para ele, ele se levanta e diz que precisa ir, ela fica sem palavras, depois disso ele parou de visita-la, sua mãe falou que foi porque ele começou a ficar mais lotado de trabalho, muitos começaram a reconhecer suas obras... Depois de três semanas sem vê-lo o médico te trás boas noticias, acharam um doador compatível e que eles poderiam ainda aquela semana fazer o transplante, Ana decidiu que iria aceitar, depois de recuperada poderia ir até a casa dele e falar seus reais sentimentos, ela ficou feliz, no dia da cirurgia ela foi sedada e começou o processo, quando acordou sua mãe estava chorando, suas mãos em frente a seu rosto, Ana começou a questionar o que aconteceu, mas quando sua mãe tirou as mãos estava sorrindo, Ana estava tonta ainda da anestesia, mas sabia que foi tudo muito bem, durante o tempo de recuperação ela estava criando coragem para falar com ele, escolhendo as palavras, respirando sempre para criar folego e pensando que não devia desistir, convenceu sua mãe para ir na casa dele, quando chegou lá tocou a campainha, uma mulher apareceu, Ana não entendeu, quem é ela? Ela foi em direção ao portão.
 - Você deve ser Ana Tanvares - Ana acenou positivamente com a cabeça, a moça abriu o portão e as convidou para entrar, a mulher olhava para Ana sempre que podia enquanto andavam, ao entrarem na sala ela pediu para a mãe de Ana permanecer lá, que elas precisavam seguir sozinhas a partir dali, as duas ficaram aflitas, subindo para o segundo andar Ana percebeu que a mulher a estava levando para o quarto fechado que o rapaz mantinha, ela o abriu e Ana abriu a boca ao ver o quarto, havia uma estatua dela vestida de bailarina no centro, em uma pose delicada e maravilhosa, ela ficou espantada com os detalhes que ele criou nas roupas e em seu rosto, haviam desenhos com todos os momentos que passaram juntos, quadros com os lugares que estiveram, os shoppings, os parques, as ruas e eventos que saíram juntos tantas vezes , e em uma comoda havia uma televisão com os videos que ele costumava fazer dela quando saiam para eventos ou shows, Ana começou a chorar de felicidade.
 -Cade ele? Quero agradecer por tudo isso - A mulher apenas olhou para Ana, ela ficou palida - Onde ele está?
 -Ele apenas me pediu para mostrar este quarto para você e para colocar esse vídeo - Ana pegou o dvd das mãos da mulher e foi até a tv, o rapaz apareceu na tela.
 -Oi Ana, bom, nesses três anos eu sei que você nunca soube meu nome, bem... Eu me chamo Marcos, prazer - Ele ri -Bom ,eu fiz esse vídeo para caso você saia mais cedo que eu da cirurgia, sim eu sou o seu doador secreto, pedi isso para ser uma surpresa, porque... Eu te amo! Eu sei que disse que somos amigos e queria assim, mas vi que não era isso e vou lutar para provar que podemos ser mais, pode me odiar mas não posso esconder mais Ana!  E quis dizer isso já faz dois anos, nos conhecemos a três eu sei, mas... Só comecei a perceber a dois, mas eu tive medo, queria te dizer de frente, mas sou meio medroso com você... Sempre tenho medo de te magoar ou de te chatear, pois... Seu sorriso é a maior arte que poderia ter, queria estar agora com você quando ver as obras, caso esteja, desconsidere essa frase - Risos - Enfim, espero te ver depois da cirurgia, por sorte o médico falou que as chances de risco são muito pequenas, o que quer dizer que é certeza que vamos nos ver, bom beijos - Ana olha para a tela, quando volta a olhar para a mulher vê que ela está segurando a vontade de chorar, então é quando ela percebe.
 -Infelizmente aconteceu uma complicação na cirurgia, eles informaram que depois de tirar o rim ele teve uma hemorragia e não conseguiram estancar a tempo... Eu... Ele... Ele era o meu filho... Meu nome é... Maria... E fico feliz de ele ter conhecido uma moça tão linda e fico mais feliz ainda dele ter feito uma escolha tão maravilhosa de ter tentado salvar sua vida.
 -Não está zangada comigo pelo que aconteceu com Marcos?
 -E porque deveria, a escolha foi dele, ele te amava, ele quis cuidar de você. Foi um desastre sem culpados - Ana foi para direção de Maria e a abraçou, as duas choraram juntas, depois de descerem Ana contou para sua mãe que a abraçou de imediato, quando voltou para casa descobriu que os pais de Marcos queriam deixar a casa para ela junto das obras, ela não acreditou e perguntou o motivo, eles lhe falaram que não moravam mais naquele país e não podiam viver na casa do filho, e mais que tudo era o desejo dele, Ana ficou semanas, meses, pensando que poderia ter feito diferente, que poderia ter lutado mais por ele, mas ela viu que nada ia mudar, sua mãe ficava com ela sempre que estava em casa, Ana se motivou a lutar pela faculdade, a melhorar sempre sua saúde quanto podia, depois de anos na faculdade, e trabalhando em seu restaurante, ela conheceu um rapaz, ele estava em uma mesa escondida de seu restaurante, ele já havia se servido e estava olhando para ela enquanto ela atendia os clientes na porta, ele estava desenhando, enquanto tocava no ambiente do restaurante "The Wind"...
                                                                         - Fim -

                                                                                                                                        -Fox

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